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    Eficácia nas Artes Marciais
        

Eficácia nas Artes Marciais

Luís Virgílio Cunha

Esta questão, para a qual a resposta parece obvia - vencer o adversário é na realidade, uma questão profunda sobre a qual importa reflectir.

Esta reflexão leva-nos a apercebermo-nos das nossas reais motivações para a prática e, por arrastamento a reflectirmos sobre nós próprios.

As nossas motivações reflectem os ideais porque nos regemos e estes são o resultado natural da posição em que nos colocamos face ao mundo e á vida. Nada do que fazemos está desligado de nós próprios e tudo o que fazemos e pensamos contribui para a formação (ou deformação) do nosso carácter. � nesta perspectiva que um pouco de reflexão se reveste de grande utilidade para aumentar a lucidez que temos de nós próprios, isto é para nos conhecermos melhor.

Assim, desde já nos arriscamos a afirmar que um dos objectivos principais da verdadeira Arte Marcial é contribuir para um melhor auto conhecimento, isto é afirmamos que a prática de uma Arte Marcial (apenas quando correctamente orientada) constitui uma ferramenta privilegiada cujo uso diligente e atento permite encontrar as nossas próprias respostas para o célebre aforismo "CONHECE-TE A TI MESMO"

A propósito citamos uma das frases que propomos aos nossos alunos como objecto de meditação, isto é para que sobre o seu conteúdo exercitem a concentração "Conhecer os outros é ser inteligente, mas conhecer-se a si próprio é ser sábio"

Opomo-nos com muita clareza e muita firmeza a uma resposta primária á questão que formulámos: a eficácia que nos interessa atingir não é a da afirmação primária do mais forte, a afirmação primária de uma personalidade sobre outra personalidade pela força, pela violência ou pela agressividade. Recusamos frontalmente toda a prática que se transforme num exercício de poder de uma personalidade sobre outra.

Muito bem, tudo isto é muito bonito no plano teórico, mas e na prática? Como é que exercícios concebidos para num confronto físico duro, um ser capaz de vencer o outro, podem na realidade ter aquele objectivo formativo?

De facto a resposta não é fácil ! Mas tentemos encontrá-la.

Em primeiro lugar para assimilar e desenvolver a técnica é absolutamente indispensável repetir incansávelmente os mesmo gestos. A repetição técnica é um dos alicerces da arte Marcial . No entanto este alicerce tem segredos que não vamos agora aprofundar, vamos apenas chamar a atenção para alguns dos seus reflexos na personalidade deixando ao leitor o trabalho, se para tal estiver disposto; de desenvolver as necessárias associações de ideias que lhe permitam analisar o seu próprio comportamento enquanto praticante.

Sem paciência, perseverança, dedicação, regularidade, concentração, auto disciplina, capacidade para canalizar o esforço não é possível mergulhar num treino repetitivo. Então podemos dizer que este tipo de treino para além dos óbvios resultados físicos, desperta, desenvolve e fixa na personalidade aquelas qualidades.

Depois para ser possível utilizar a técnica já assimilada em combate novos factores entram em acção. No combate (kumité) é necessário , auto confiança, criatividade capacidade para aceitar desafios, respeito, autodomínio que é uma faceta mais profunda da auto disciplina, lucidez mental, calma, firmeza, segurança. capacidade para utilizar e gerir a própria energia, humildade, verticalidade e limpidez de caracter (quer durante o combate quer para assumir uma vitória ou uma derrota,) Porque em combate (tal como o entendemos e praticamos) de forma alguma os fins justificam os meios. Para nós os verdadeiros fins a atingir em combate são a dignidade de meios desencadeados e que deverão ser colocados em jogo.

Assim, vemos que o exercício de combate, onde o físico é global e profundamente envolvido, quando existe uma inteligência a dirigir todo o processo, tem reflexos muito interessantes na formação e desenvolvimento da personalidade.

Em nosso entender são os reflexos positivos da prática da Arte Marcial na personalidade que importa consciencializar e desenvolver e que devem ser considerados como o objectivo principal e prioritário da prática, e portanto como sendo o objectivo em relação ao qual a sua eficácia deve ser avaliada, porque a não ser assim esta prática deixa de ser uma arte transformando-se num mero exercício da animalidade humana.

� esta animalidade que o estudo e a prática da Arte Marcial deve ajudar a consciencializar e a educar.

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    par Kenji Tokitsu - publié dans ??

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